domingo, 16 de fevereiro de 2014

DÉJÀ VU

È a mesma desilusão antiga
Um simples déjà vu escrito
Sinal das palavras que você dita
ou se libertam como um grito

Pessoas que puxam sua herança
Entre um olhar ostensível em um tesouro
Prendem as cenas sem esperança
na moleira do menino de ouro

É descomplicado perder o lado certo
quando despencamos a todo o momento
Voltando a ser um feto
em um casual consentimento

Promissões não cumpridas
É uma absoluta exigência
Um cão negro com suas feridas
expõe a sua clemência

O corpo espalhado pelo sol
atesta que o imaculado são formas de delírios
O que importa é que será mantido em formol
e um sepultamento garantido com lírios
KAFKIANO

Em um dia impoluto pude perceber um falcão dourado dançando entre as nuvens.
Expondo minha ingênua alma em uma sensação que não era recente para mim, mas que eu não apreciaria senti-la novamente
Eu não queria mais aquela congregação com as pessoas íntimas que eram, ao mesmo tempo, remotas.
O martírio era conduzir esses lírios brancos, muito menos sentir aquele corrupto cheiro familiar.
Observei atentamente o patriarca e seus herdeiros.
Em cada feição uma sentença era exposta e eu avistava lembranças maviosas, penitências, padecimentos e clemência.
Em suas ponderações distantes, cada pessoa cuidava de si. Internei-me em um casulo escuro como o oceano mais profundo, tentando me ludibriar e forçando a acreditar que estaria me cortejando.
A natureza amputou minhas pernas, me obrigando a me arrastar como carraças.
Tive que me adaptar como um deficiente costuma fazer!
Conciliar a essa variação foi como me unificar a uma posição kafkiana.
Nunca seremos absorvidos pelas divergências com os parasitas genéricos.
ALMA DISSIMULADA

O amor que buscava tornou uma estrela
 E se partiu com todos os sonhos e desejos
O maior anseio era ignorar o que almejava ser
Em troca das notas que poderia ter

O vento assoprou a utopia pela costa dos corais
Talvez fosse o destino, eu suponho
Mesmo destino que fez a chuva cair com o seu perdão
E onde nasceu a desavença e a transformou em uma atuação

Muito tempo foi perdido para trazer a esperança de volta
Com o intuito de tornar sagrado tudo o que foi tocado
A eternidade é breve para cumpri-la com fantasias
Seria como apreciar a lua com ideias vazias

Esperar por algo que nunca vem é alimentar o desengano
Dessa forma, vários parasitas eram vistos a sua volta
Com uma personalidade herdeira das viagens mentais
O que será de uma entidade que se apega a alguns sinais triviais

Mais um dia perdido entre os negativismos nutridos
Repensando em novas formas de deturpar a realidade
Com o objetivo de matar o tempo, rastejou até uma praça
Fixou-se em um banco rústico que o fizesse pensar em sua farsa

As velhas notícias eram deixadas com a máscara caída de um palhaço
Um cigarro queimava por inteiro sem um miserável trago
E a fumaça branca formava uma nuvem em momento inconsequente
Era um estado emocional credor de uma intervenção iminente
INSIGHT

Tomando uma cartela com comprimidos brancos
que se parecem com mentos
Mas nada acontece, pois seu organismo se habituou
a esse ato descompensado

As suas veias estão congeladas
Os membros amoleceram como o seu coração
O ponteiro queima mais lentamente
É o tempo colocado em uma perspectiva diferente

Os seus problemas são como coleções
Organizadas e legendadas
Tudo o que você deseja é a indulgência dos céus
pois o seu nome será grafado em um sepulcro

Um ladrão roubou uma mensagem do sol
Tudo está tão longe e ruim
Você espera a confirmação da bravura
 para progredir com esse esboço

O ritual é uma mera atração corriqueira
É o circo da arma apontada para a própria cabeça
As dificuldades se cobrem com as névoas
e as palavras sussurradas são caóticas

O outono derrubou a sua ambição
e as folhas foram varridas pela corrente do sul
Expondo um túmulo com uma imagem sacra de bronze
e o seu nome grafado em cima de uma data

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

SR. ESQUIZO

Chore pela ajuda e crueldade
O lunático se ergue através da idade
Em sua sabedoria faça-os entender
Solte suas mãos e deixe de absorver

Sete anjos dançavam no sol da manhã
tocando suas harpas com entusiasmo
É um mundo ilusionista e fatal
Quando o que é real é deixado de lado

Vozes e percepções irreais eram a sua guerra
Delírios intimistas de quem se enterra
A lua rosa diz que seria sensato preparar uma corda
para romper um esgotamento que transborda

Ao lado de uma árvore com lantejoulas penduradas
um homem branco batizava seu nome de Sr. Drake
E a procissão das almas passava com velas nas mãos
À medida que os sinos da igreja retumbavam

Um escapulário de ouro não servia mais como armadura
Foi deixado formosamente ao lado de uma sepultura
Um jovem Lariço foi escolhido para se pendurar
Seria como um lustre de ossos para se observar

sábado, 8 de fevereiro de 2014

PERMANÊNCIA E CERNE

As memórias e ambições deixadas de lado
eram a gélida distância em um pensamento antiquado
O que se perpetuou em um lago de lágrimas
acabou se revertendo em um azul pálido

O presságio do anseio pela solidão
se tornou a engrenagem do tempo de um ancião
O orgulho se perdeu em uma nuvem de perspectivas
Apenas por um momento o caminho foi encontrado

A sociedade foi mentalmente deslocada
e os pretextos foram a permanência demarcada
Uma coleção de destinos desvendados
 foi o último ato dos quesitos passados

O egocentrismo nunca escapou do desapontamento
e esperar por algo que nunca vem se converte em abatimento
O pecado do cerne alimenta e domina os debilitados
Enquanto a compaixão conserva aqueles que foram abandonados

Essas sensações são como caminhar em um bosque distante
Uma calmaria que transforma algo atraente em um trágico instante
O embate entre o céu e o inferno reina entre os homens
Foices e cajados porfiavam por uma verdade que nunca existirá

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CERIMÔNIA

O olhar fantasmagórico procura por novas intenções
Algo esteve clamando pela coerência
De volta à lama, o lugar de onde nunca deveria ter saído
As pessoas resignam para atender às expectativas

Espere até escurecer para a cicatriz surgir como uma pintura
O silêncio vai ser a expressão dos seus passos
Não existe nenhum herói para modelar esse monólogo
O que existe ainda é a ponta de um cigarro que não foi apagado

Andando pelo cânion, a simpatia reinava e dava voltas
Voltas como o seu humor sempre deu
Ele esteve fora durante algum tempo
É um fato!

Se você soubesse como era viver sem companhia
Talvez tivesse se esforçado mais para resolver seus problemas
Talvez tivesse enfiado uma estaca na teimosia para repensar em tudo
Agora é melhor segurar a respiração e aceitar as coisas como realmente são

O caminho é longo e não há como roubá-lo através de trilhas
O que você está fazendo se enforcando dessa maneira?
As coisas vão ficar da forma que sempre estiveram
O que você decidir agora provavelmente vai ser bom
SÃO VÍTOR

Os vestígios são os fardos de uma mente cansada
E a vértice levanta o que é crucial e descartável
Um rosto enrugado pela amargura dos anos
Conexões que nos fazem admirar a distância

Os erros foram cometidos por uma visão míope
Algo que nunca foi compreendido para ser aceito
Um cão negro se encontra imóvel em uma porta
e observa um senhor enfermo sendo cuidado

O senhor não entendia que os sonhos são falsas perspectivas
Sendo válidos apenas para aqueles conseguem realizá-los
Apenas saltitava durante a dança de São Vítor
Mas sem conhecer os primórdios desse infortúnio

Para ele, dormir era adiar o seu padecimento
Mesmo que por algumas horas
Uma enfermeira conduzia uma bandeja de prata
Existia algo naquela bandeja que pertencia ao grupo dos opióides

Nada mais funcionava no seu corpo esgotado
Eis que o cão negro eclodia novamente
Aproximou-se até o velho e lambeu sua face
Trancando eternamente os olhos que um dia brilharam

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

7

7 anjos tocam trombetas com graça
Dançando entre os pássaros de fogo que planavam
Suas vestes celestiais se unificavam aos ventos
Tornando o céu benemerente de encantamentos

O lírio alimenta docemente a primavera
E as folhas despencam como a chuva
Inferência da paz celestial libertada pelos anjos
que apontavam os seus instrumentos sem desarranjos

Um ancião alçava um cálice de vinho
Tragando e felicitando por essa visão invulgar
Uma condição singular para um octogenário
que ao ver os anjos, tombava o seu cálice encantado

O velho ergueu seu cajado e se levantou
E com uma jovialidade há tempos escassa
Olhou para o céu e rezou para se tornar parte daquele momento
Pois o que o interessava era se acoplar aos anjos naquele livramento
O POMAR DOURADO

Em uma torre apontada para o norte
um sino de bronze ressoava pontualmente
Era o comunicado da reunião dos monges
As velas iluminavam os corredores de pedra

Peregrinavam para a igreja com suas vestes monásticas
Acostumados com os ornamentos de ouro e prata
No jardim, o vento ressonava como cantos gregorianos
E um falcão planava entre as cordilheiras

Os monges mais altaneiros utilizavam uma cruz ansata
Seguindo o legado da escrita hieroglífica egípcia
Numerosas imposições amofinava o monge Amrrique
O abade era visto como um tirano chauvinista

As orações não asseguravam mais Amrrique
Eram como sentenças soltas e incongruentes
O monge adotou uma postura enérgica
E retirou dos seus aposentos a Cruz de São Pedro

Carregando sua cruz e estimulado pelo abade
que era visto utilizando um círculo com um ponto no centro
Caminhou até um pomar envolto em carvalhos
e pronunciou-se a inserir seu nome perpetuamente em uma pedra