segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sentido da vida


Vejo as pessoas dizerem que a vida deve possuir um sentido. Isso me deixa intrigado de uma forma voraz e irrefutável!
Por que deveria haver algum sentido em erguer-se todos os dias e realizar tarefas metódicas?
O sentido está dentro do que buscamos e temos como planos e expectativas. A natureza se encarrega de nos proporcionar a queda das folhas das árvores no outono; o nascer do sol; o vento que sopra para o norte e toda a beleza e geometria que envolve suas formas.
Em suma, o sentido é relativo, mas tentando aproximar em uma análise mais “popular”, seria nossas escolhas e percepções, enquanto a natureza é uma composição importante em nossas vidas.
Poderíamos avaliar alguns sentidos intrínsecos, ou que abrangem o senso comum, como o amor, liberdade, compaixão, felicidade e generosidade.
O amor envolve gestos simples.
A liberdade se desenvolve através de gestos simples.
A compaixão é composta por gestos simples.
A felicidade se expressa, muitas vezes, em momentos simples.
A generosidade é realizada com gestos simples.

Portanto, o sentido da vida está na simplicidade. Extravagância é excesso. Simplicidade é o bastante para ser essencial.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ilustração | Elliott Smith


Ilustração | Dona Lisa e a faxina


Faces


Poderia recortar diversas faces abrindo jornais, revistas, ou qualquer material que contenha diversas formas, cores e perspectivas.
Esse trabalho ocuparia poucas horas do meu dia, que basicamente é a mesma coisa. Os mesmos sons, sentimentos...
As mesmas pessoas e visões...
A mesma fechadura, e exatamente a mesma chave que não abre absolutamente nada. Uma janela manchada que te deixa eternamente cego.
Então você busca uma nova identidade, mas percebe que é tarde demais. Você conhece a esperança em sua forma escrita, que circula e dança entre as palavras. Bem longe... É tudo tão enternecedor e cômodo!
Seu silêncio é tão profundo que pessoas a quilômetros de distância o escutam. Alguém roubou seus sonhos na infância, e o transformou em sons que vêm dos sinos de uma igreja. Seria romântico se não fosse tão funesto.
Em uma lua roxa, suas mãos se quebram em dois idênticos pedaços. Como segurar as mãos do seu guia?
Perdido mais uma vez. É tão fácil perceber que ser gentil e amoroso não vai te proteger.
Talvez não seja necessário segurar, mas seguir. Basta seguir, mesmo que ofuscado pelas lágrimas vermelhas, fazendo uma alusão a uma vida desperdiçada.
Sei que você não terá nem uma degustação do que precisa ou deseja, portanto tudo terminará da maneira que você previu. É o que tudo indica!
Deitando toda noite em uma cama vazia no quarto que se transformou em um bunker, buscando forças em uma energia que nunca vem.
Talvez seja necessário esperar por um milagre, ou talvez empanturrar o coração com falsas esperanças.

O espelho quebrado


Um fato a se destacar é que vivemos diante de um espelho quebrado. A nossa verdadeira imagem sempre se encontra paralela à realidade em que vivemos, sendo distorcida pelas figuras geométricas de um vidro que reflete nada mais do que a realidade que gostaríamos de ser, e não o que verdadeiramente somos. Cada forma quebrada, como um mosaico, é um espaço para a característica individual, sendo assim, a importância diante do pensamento dos outros é derivada do tamanho de cada peça.
A conseqüência disso é a obsessão em juntar os pedaços e formar uma imagem perfeita diante dos outros, e esse se torna o ponto de partida para a sociedade da representação. Aceitar as situações, e não mudá-las cairia perfeitamente em um penhasco azul e pálido.
Não junte os cacos. Crie um espelho novo baseado nas perspectivas e sonhos, e faça o seu caráter paralelo aos seus reais valores.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Interior... romantismo... ideal


O som do sino toca em uma igreja no alto de uma ladeira. Um aviso aos moradores que alguém entrou por uma porta que poucos desejam.
As pessoas se encontram durante a caminhada e na porta das suas casas. Conversam, sorriem, choram, pulam de um assunto para outro com extrema facilidade.
O sol ilumina as lágrimas que entram em decadência com as lembranças, mas todos acreditam no tempo. As esculturas se tornam amarelas e vivas, beijando o horizonte e cada estranho que passa por ali... Cada montanha em sua singularidade consegue decorar essa cena.
A multidão aos poucos sobe a rua passando por casas antigas, chafariz, museus e pelo passado. Como soldados, vão seguindo militarmente em sentido ao mesmo ponto central daquele fim de tarde, olhando pra cima. Alguns cansados, outros sentem uma imensa expectativa de presenciar o que já estão cansados de ver. Um rolo de filme ao revés no olhar demonstra isso!
Mais um polegar levantado para a sociedade do espetáculo.
È cômico, pois todos irão passar por isso. Esses também se tornarão um objeto intrigante para alguns, mas basicamente de adoração e lamentação.
O tempo para os que conversam sobre assuntos subjetivos passa mais depressa. Tempo que atura esses olhares míopes, sujos e cínicos que juntamente se completam nas bocas que balbuciam palavras de suposto apoio.
Finalmente reunidos na parada das coroas, ninguém diz mais nenhuma mísera palavra. Alguns observam, enquanto outros caminham em linha reta deixando suas mentiras, sinceridades, mágoas e alegrias.  
Dentro, a decoração barroca parece tornar a cena uma propriedade da sua história.
Ao lado esquerdo, objetos, memórias, e o pedaço de cada morador. Não há verdade que sustente as sentenças roubadas de um ladrão de flores roxas.
Estranhos se cumprimentam com cordialidade em um lugar tão antigo quanto a decadência humana.
Todos pensam que precisam de você, mas o que não é descartável ou substituível nesse satélite?
Pra quem conhece bem, essa cena torna-se surreal e não há o que reparar muito menos o que expressar por um sentimento ínfimo e burlesco.
Por fim, velas são acesas, esperanças renascem e a dor é previamente aceita.

Uma colônia composta por um bosque

Ando pelo bosque mais escuro
procurando a solidão em cada passo
Caminho em círculos com meu escudo
me resguardando de tudo o que faço

Basta empurrar o meu corpo e minha mente,
para julgar a fé como um pensamento positivo
Mas as pessoas dizem sobre o que se sente,
que é a força de algo estupidamente vivo

Eu não pertenço a ninguém,
pois vim da mesma natureza que os demais
A única diferença é o sofrimento que vem
e corrompe quem o traz

Para alguns é entretenimento
Para outros é uma marcha casual
A alma transparece o sentimento
perdido em uma linha meridional

A procissão caminha lentamente
carregando lírios como um troféu
Consequência de uma serpente
que envolveu o seu pescoço até o céu